Breve apresentação do projeto
O projeto de extensão Tecnologia Social em Assentamentos da Reforma Agrária (TecSARA) faz parte do Programa de Extensão Tecnologia e Gestão em Assentamentos da Reforma Agrária (TGARA), fruto do Núcleo de Solidariedade Técnica (Soltec/UFRJ) e do Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social. Tem como objetivo principal fortalecer o projeto da Reforma Agrária Popular no Estado do Rio de Janeiro entre os Movimentos Sociais no Campo e a Universidade por meio da troca de experiências e assessoria técnica visando a autonomia em saneamento, energia e habitação. A atuação do projeto se dá através de cursos de formação crítica em sistemas técnicos, tendo como base as metodologias participativas de Educação Popular e Pesquisa-Ação, visando o desenvolvimento de tecnologias sociais e sustentáveis para os territórios. Atualmente, o projeto TecSARA é composto por uma rica participação de estudantes de graduação e de mestrado e professores das áreas de Engenharia Ambiental, Mecânica, Gestão Pública e Gastronomia.
Histórico
A primeira experiência do projeto foi um Curso de Formação Crítica em Sistemas Técnicos de Energia no Assentamento Irmã Dorothy (Quatis/RJ), em 2017. O curso surgiu como uma demanda do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/RJ) devido às condições precárias de infraestrutura nos assentamentos e acampamentos do estado do Rio de Janeiro. No âmbito do curso, foram realizadas diversas discussões sobre o tema da energia e foi desenvolvido, junto aos assentados, um protótipo pedagógico de um sistema fotovoltaico.
No 2º semestre de 2018 até julho de 2019, houve a realização de um Curso de Formação Crítica em Sistemas de Saneamento Ecológico, vinculado à Unidade Pedagógica de Agroecologia do Acampamento Edson Nogueira (Macaé/RJ). O curso contou com a participação de diversos trabalhadores rurais, tanto do acampamento quanto do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Osvaldo de Oliveira, um assentamento que fica em Córrego do Ouro (Macaé/RJ). Através das discussões e práticas do curso, foi desenvolvido um sistema de tratamento de efluentes para a cozinha coletiva do acampamento.
Além disso, o projeto TecSARA se ergueu por uma forte parceria com o projeto CaCi, principalmente no âmbito da formação sobre os temas afins aos projetos, como extensão, pesquisa-ação, educação popular, reforma agrária, agroecologia, soberania alimentar, entre outros. A criação de um espaço conjunto de formação permitiu também algumas visitas a espaços físicos da Reforma Agrária, como a Escola Nacional Florestan Fernandes, o Espaço Terra Crioula, acampamentos e assentamentos do estado do RJ.
Um dos frutos dessa formação é a organização da Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária (JURA) no Centro de Tecnologia da UFRJ. O evento faz parte de uma articulação nacional de diversas universidades com o objetivo de trazer a pauta da reforma agrária popular para dentro do ambiente acadêmico, além de temas mais específicos, como, por exemplo, o papel da tecnologia no fortalecimento da agricultura familiar.
Objetivos
Desenvolver tecnologias sociais, consolidar o conhecimento científico da universidade na prática, aproximar o campo e a cidade, fortalecer a agricultura familiar e a reforma agrária, troca de saberes, promoção do direito humano e civil à água e ao saneamento.
Ações atuais
Hoje o projeto se estrutura a partir de três linhas de ação:
- Diálogo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra: a equipe do projeto busca estar a par com as lideranças do Movimento no Estado do Rio de Janeiro e promover oficinas críticas nos assentamentos sempre que uma demanda é posta. A promoção da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária está dentro do escopo anual de atuação e os membros buscam trazer os debates para dentro do local de estudo a partir das diferentes formas de se tratar reforma agrária, como povos originários e outros movimentos sociais.
- Comunicação: a equipe vem trabalhando na produção de materiais para divulgação, para dentro e para fora da academia, do conjunto de ações desenvolvidas pelos assentados e dos aprendizados elaborados a partir do nosso diálogo com essas experiências. Participamos com frequência dos Encontros de Engenharia e Desenvolvimento Social (EREDS/ENEDS), e buscamos ampliar nossos espaços de trocas e reflexão.
- Formação da equipe: formação contínua da equipe diante de temas que engrandecem nossas atuações para fora dos muros da universidade, como economia solidária, autogestão, agroecologia, abastecimento da cidade, reforma agrária popular, saneamento ecológico rural, e qualquer outro tema que se encontre permeado pelas ações.
Publicações
ADDOR, Felipe et al. A ATUAÇÃO EXTENSIONISTA DO SOLTEC/UFRJ JUNTO AOS MOVIMENTOS SOCIAIS DO CAMPO. In: 1º Encontro Latino-Americano de Engenharia e Sociedade - São Paulo, 2019. Disponível em: <https://www.doity.com.br/anais/engenhariaesociedade/trabalho/89467>. Acesso em: 03/11/2020 às 22:58
LYRA, Rubens Marcellino; FRANCO, Nelson Andrés Ravelo; GELIO, Marcella Moraes Peregrino. PESQUISA-AÇÃO E EDUCAÇÃO POPULAR: CONTRIBUIÇÕES A PARTIR DE CURSOS DE EXTENSÃO EM SISTEMAS TÉCNICOS EM ASSENTAMENTOS RURAIS. In: 1º Encontro Latino-Americano de Engenharia e Sociedade - São Paulo, 2019. Disponível em: <https://www.doity.com.br/anais/engenhariaesociedade/trabalho/89409>. Acesso em: 03/11/2020 às 22:59
MATTOS, C. A. de S.; GELIO, M. M. P.; LIMA, R. O. de; ADDOR, F. Tecnologia social e reforma agrária: reflexões a partir do curso de formação crítica em sistemas de saneamento ecológico. Revista Terceira Margem Amazônia, v. 6, n. 14, p. 14-29, 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.36882/2525-4812.2020v6i14p103-119
FRANCO, Nelson Andrés Ravelo. Contribuições da Educação Popular e da Pesquisa Ação à Adequação Sociotécnica: estudo de caso de um curso na extensão. 2018. 144 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Mestrado Profissional em Tecnologia Para O Desenvolvimento Social, Núcleo Interdisciplinar Para O Desenvolvimento Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: . Acesso em: 05 mar. 2019.
MEIRELLES, Anna Beatriz Sathler; LOPES, Beatriz dos Prazeres, FINAMORE, Renan. Tecnologia social, saneamento ecológico e assentamos da reforma agrária: experiência do projeto TecSARA. 2023. v. 18 n. 1 (2023): Anais do XVIII Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social. Disponível em: <https://anais.eneds.org.br/index.php/eneds/issue/view/19>. Acesso em: 25/01/2023 às 01:40.
MEIRELLES, Anna Beatriz Sathler et al.. Tecnologia social, saneamento ecológico e assentamos da reforma agrária: experiência do projeto TecSARA. 2023. IX Encontro Regional de Engenharia e Desenvolvimento Social Sudeste. Disponível em: <https://eneds.org.br/ereds/ix-ereds-sudeste-campinas-2023/>. Acesso em: 23/10/2024.
LOPES, Beatriz dos Prazeres et al.. TECNOLOGIA SOCIAL E SANEAMENTO ECOLÓGICO EM ASSENTAMENTOS DA REFORMA AGRÁRIA DO RIO DE JANEIRO: A EXPERIÊNCIA DO TECSARA.. In: Anais do 1º Simpósio Brasileiro de Ensino, Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social. Anais...Rio de Janeiro(RJ) Centro de Tecnologia da UFRJ, 2023. Disponível em: https//www.even3.com.br/anais/1_SEPETS/697729-TECNOLOGIA-SOCIAL-E-SANEAMENTO-ECOLOGICO-EM-ASSENTAMENTOS-DA-REFORMA-AGRARIA-DO-RIO-DE-JANEIRO--A-EXPERIENCIA-DO-. Acesso em: 23/10/2024
Equipe
Felipe Addor (coordenação)
Professor do NIDES.
Beatriz Lopes (bolsista)
Graduanda em Engenharia Mecânica (UFRJ)
Desde 2021.
Elayne Araújo (voluntária)
Graduanda em Engenharia Ambiental (UFRJ)
Desde 2024.
Ana Júlia Ferreira (voluntária)
Graduanda em Engenharia Ambiental (UFRJ)
Desde 2024.
Júlia da Silva Evangelista (voluntária)
Graduanda em Engenharia Ambiental (UFRJ)
Desde 2024.
Emanuellen (voluntária)
Graduanda em Engenharia Ambiental (UFRJ)
Desde 2024.
Anna Beatriz Meirelles (voluntária)
Graduanda em Engenharia Ambiental (UFRJ)
Desde 2019.
Sofia Brasil Benassi (voluntária)
Graduanda em GPDES (Gestão Pública Para Desenvolvimento Econômico e Social) (UFRJ)
Desde 2024.
Gabriela Vidori (voluntária)
Mestranda em Tecnologia Para o Desenvolvimento Social (UFRJ)
Desde 2024.
João Gabriel Barbosa (voluntário)
Graduando em Engenharia Mecânica (UFRJ)
Desde 2024.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Beatriz Lopes:
Minha participação dentro do projeto e em conjunto com todos os outros que compõem o Núcleo me trouxe vida ao atender necessidades próprias de aprofundar o conhecimento prático da sociedade e da busca de enxergar a produção tecnológica de outras formas. A gama de universidades, movimentos, professores e técnicos, redes tecidas e de estudantes engajadas me deram uma casa de acolhimento, óculos de ampliar a visão, livros repletos de conhecimentos e críticas e campos de infinitos trocas.
Ao encarar a máxima de Paulo Freire quando diz que a cabeça pensa onde os pés pisam, pude sentir as transformações pelas experiências multifacetadas que foram proporcionadas externamente e internamente. Ao dialogar com o movimento social dos trabalhadores rurais sem terra, a questão agrária me saltou aos olhos como uma descoberta, e o espanto deu lugar à vontade de abrir a mata fechada com facões e machados. Foi com muito debate, pessoas, tempo e formações que fui entendendo como poderia, pessoalmente, usar do meu corpo, tempo e técnica para fortalecer a luta pelo acesso digno a terra. Atualmente, enquanto coordenadora, tento passar a importância e o encanto à frente.
Aprender a caminhar entre teoria-prática-teoria, num percurso que se asfalta enquanto abre os caminhos, formando base de conhecimentos sólidos, conexões interpessoais íntimas e parcerias de trabalho em âmbito nacional são os temperos que me formam como engenheira diferenciada. Me sinto verdadeiramente sortuda por ter nutrido tamanha conexão entre os territórios e as pessoas, mas sei que esse caminho não precisa ser de sorte, mas de oportunidades. A faculdade pública ainda há de resistir e seguir abrindo caminhos.







